Social Icons

10 março 2011

Carrossel dos pôneis mancos e calados

a moça de branco brindando com suas poses de tragédia brinca de abismo - pisando em trapo - trincada pelas próprias palavras de flecha - atinge a glote sem escalpelar a suavidade da fala - ouve todos os sons dos brinquedos aos seus pés - fés de segurar na mão e esconder estando ali - distraíam mentiras lustrando bonecas - olhos de brinquedo não se calam por um segundo - viram as setas para as escolhas certas de um dia sem fivelas e estalos - escurecia de cílios descolados corvos que acolhiam de penas amoladas - antes de morder os lábios para não acordar do quarto - e cair do chão - o piso gelado acolhe os joelhos - faz as marcas para tocar - cicatrizes temporárias de diversão - a moça de branco empossando brincadeiras de tragédia gosta de limitar o abismo pelas pontas dos dedos - lambuza o sangue azul com carne desprovida de míseros detalhes doloridos - mentira - falta a respiração por limbo de medo sofrido - afasta que ninguém alcança - apenas quem causa o afastamento - parte dele - de verdade - mas não longe da mentira - duas versões - adultas - natural e forçada - os brinquedos não se arrastam - não se movem - se estatelam no chão montando e desmontando anatomias de borracha pano e sismas - olhos de boneca lacrimejam no sobrenatural - força do que se vê e não se prova

25 fevereiro 2011

[Vazio]

Peço permissão ao meu amigo Salvador para usar uma ilusração dele para representar o que está acontecendo comigo nesses últimos meses. Conto com paciência de vocês para superar essa crise...



21 fevereiro 2011

Balanços

Ódio que abre a janela não deseja se atirar - mirava a todo tempo os olhos de netuno - concentrado nos detalhes da catapora estelar das veias lácteas - tentava soletrar mistérios de anos que ainda tentam calcular - mistérios dos que calculam - mistérios dos que se sentam em solidão pelos parapeitos do coração - mirava a todo tempo os olhos de fogo que pipocavam luzes - luzes ardentes como hormônios adolescentes em fúria - luzes que mostravam a morte do piso gramado - metros debaixo dos pés - pés voadores sobre cabeças quadradas - bichadas - nada a dizer - sentado no batente difuso para jamais se levantar - o ódio que abre a janela não tem interesses - abre labirintos suspensos para não se achar ao vento

10 janeiro 2011

Inquietude de uma noite nublada

começa com um vácuo - a coisa toda se condensa nos átrios mais cinzentos - e a vela não acende - tudo está escuro sem forma e vazio - como o gênesis de uma nova era - incolor cheia de dores - servindo patas de caranguejo à meia noite - quebrando todos os protocolos do sentido - perdido em divagações - do que poderia ser do que não foi e que provavelmente nunca será - repito meus atropelos em dígitos desconexos - talvez para aliviar toda a pressão - meus pulmões se sufocam - se apertam em fina repulsa ao isolamento - isso é o caos do que não se pode explicar nem rasgar nem fazer bolinhas nem jogar no lixo - posso simplesmente sentir meus pés congelando pelo piso que contacta - recebo as almas para dançar - não acredito nelas mas é o jeito se conformar - confortando-se na última valsa antes de voltar à estaca zero na incerteza do que me faz continuar pensando nas mesmas coisas - em como não consigo dizer refazer destruir montar - a última vértebra desse mundo sou eu - sustentando toda a pelanca podre - mas podre mesmo é o cálcio que me reforça e não reage - não consigo pensar em coisas melhores - não sei pensar em linha reta - nem explodir de forma convencional - queria aprender a arte do velho boom seguido de estrondosos pontos de exclamação enquanto todos se assustam - ao invés disso faço uma espécie de apito mudo incompreensível e todos seguem correndo nas suas pistas escorregadias - na noite das fadas, os camelos vem para se vingar virando o último copo d'água da face da terra - derramam mais do que bebem - ostentam e hidratam com sua baba - o cheiro de terra faz as narinas lembrarem do sangue que corre em suas cavidades - talvez seja hora de me entregar a última respiração consciente da noite delirante que rasga os peitos dos céus cinzentos nublados e revestidos com a áurea tentativa de ser santa - os infernos pintados de ouro nunca serão brilhosos - amém

29 dezembro 2010

Divulgação

Amigos e/ou leitores,

Avisamos que a partir de hoje (29/12/2010) contaremos apenas com o nosso blog oficial e o twitter. Serão deletados nosso perfil no Orkut, MySpace e FormSpringMe.

Qualquer dúvida, sugestão e/ou reclamação,

Mande um e-mail para nós.

Att.,

Vampiros Anêmicos

23 dezembro 2010

Informação

Tenho andado rude com muitas pessoas. Talvez estivesse envolta de meus pensamentos inúteis e prosaicos. Andava como se apenas existisse uma pessoa no mundo: eu. E quando nada girava ao meu redor, fingia que nada acontecia. É a hipocrisia: já nascemos com ela; quando éramos crianças simulávamos o choro para chamar a atenção de nossos pais.

Era domingo e saí para minha caminhada matinal (serei mais uma velha ranzinza e metódica. Espero chegar até lá) quando um homem pediu dinheiro para voltar ao seu interior. Mentira. Vejo nos olhos quando alguém mente. Respondi rudemente o homem. Ele saiu resmungando baixo, mas eu continuei minha caminhada, como se nada houvesse acontecido.

Em casa, liguei a televisão e coloquei em um programa fútil. Ás vezes é necessário ver futilidades; Nossa vida já é seria demais. Passado meia hora, a campainha tocou. Quem será que veio perturbar-me uma hora dessa? Quando abro a porta vejo o rosto de um velhinho aparentemente simpático.

- Por favor,...
- Não tenho esmola.
- Mas eu...
- O senhor não ouviu? Não tenho esmolas!

Quando ia fechar aporta, o velhinho falou tristemente:

- Só queria saber onde era a Igreja de São Francisco.

Envergonhada, olhei nos olhos do velhinho e apontei para uma igrejinha ao lado do mercado, duas casas após a minha. Ele agradeceu. Ainda envergonhada, entrei e sentei no sofá. Só queria saber onde era a igreja... Com a face corada voltei aos meus prosaicos pensamentos inabaláveis e inúteis...

08 dezembro 2010

Não há fim

Hoje, o blog Vampiros Anêmicos completa seu terceiro ano de existência. Neste 2010 que já começou dando tchau e correndo pra longe. Em um ano em que as postagens se esconderam em ocupações seculares, e não na ponta de nossos dedos calejados. Nossos poucos leitores devem ter estranhado a quebra de nossa tão famosa assiduidade (mentira, nunca a tivemos). Sempre me perguntavam: “E aí, o blog acabou? Faz tempo que não postam”. E minha resposta, em definitivo é esta: excluir este blog seria um suicídio. Apagar todas as memórias por trás de nossa prosa e poesia, nossas angústias em palavras ensopadas.


Passamos meses (quase um semestre) sem postar, trocamos de layout, a Raíssa já mudou de nome uma, duas, x vezes, e agora é uma entidade que sobrevoa os textos que não têm meu nome (buuu...). Mas, isso e muitos outros fatores são irrelevantes. Esse blog não é a nossa profissão, não é uma vitrine para vendas, não é um exemplo para professores de literatura sentirem orgulho. É a nossa taberna, onde dedicamos um tempo para nos embriagar um pouco de nós mesmos.


Esperamos que muitos anos venham. Se, por acaso, as mensagens de aniversário sumirem e décadas passem sem postagens, esse não será o fim. O nosso vômito permanecerá manchando este pequeno espaço do mundo virtual.

22 novembro 2010

Ladrão dos limões azedos

minha latitude tem medo da vertigem mas abraça o vento quando ele passa - arranca o peito do pé ralando no rarefeito - rasga os lábios fritados em fardos gelados - e depois sufoca na queda livre de um transe qualquer - submerge em sequência de choques - ainda dormente suga o ar que não pertence - susto que dói na espinha retorcida - no limite do estalo que separa - até os olhos se espremerem como limões - para então sentir - o ardor do que te faz ser algo tão longe

08 novembro 2010

Outono na Floresta

Como todo dia, levantou em cima da hora, tomou café rapidamente e pegou o ônibus (muito cheio) para ir ao trabalho. Chegou sorridente, cena que se repete há 15 anos: tapas amigáveis nas costas e seu bom humor inatingível. Trabalhava como arquivador no escritório de advocacia; Falava com todos e ainda havia quem não gostasse dele. Sempre fora um bom aluno, tanto na escola como na faculdade. Era o orgulho da família: ganhara até bolsas em vários países, mas nunca quis sair da cidade-natal. Não queria se afastar da família, que era seu apoio psicológico, principalmente nos finais de ano, quando havia muitos trabalhos, tanto na faculdade como no emprego. Nestes dias, mal tinha visto a família, pois o escritório estava crescendo e acumulando cada vez mais trabalho. Até seu sorriso tinha mudado: de longas piadas e gargalhadas, fez-se apenas um sorriso amarelo, quase forçado. E para piorar, a faculdade ainda o ocupava seu tempo restante. Como mal tinha tempo de alimentar-se bem, acabou passando mal e desmaiou. Estava muito abatido e a família bastante preocupada.

Passou vários meses assim. Apesar do outono, com o aroma doce das flores e dos ventos, ficou mais sério. Já não era mais simpático e não falava com os colegas do trabalho. Após dias começou a faltar no emprego e sua casa era seu mundo. Depois o quarto virou seu universo. Não falava nem com a família. Decidiram levá-lo ao médico. Forçaram-no a ir. “Seu filho está com uma grave disfunção no hipotálamo”. Depressão grave. “Mas ele era tão animado, sempre radiante de alegria...” Estresse. Piorou dia após dia, apesar do tratamento. Mal saía da cama nem para beber água. Os olhos vermelhos, taciturnos e a respiração ofegante.

Amanheceu e a esperança de que melhorasse vinha com o sol, mas a nuvem o cobria. Abriram a porta do quarto e o viu caído sobre o chão, inerte, com os comprimidos do tratamento em mãos. A cama estava desarrumada e as portas do armário onde os remédios eram guardados estavam abertas, o vento batia, fechando-a e abrindo-a, tocando uma melodia triste. Mesmo a floresta, sempre exuberante, cheia de folhas e alegrias, no outono perde-as... Algumas chegam até a morrer...

16 outubro 2010

Layout alterado

Devido à problemas e erros de configuração htnl com o novo editor de design do blogspot, informo que o layout anterior estará indisponível por tempo indeterminado.

Att.,

Vampiros Anêmicos