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01 setembro 2009

Visões sentidas

Às margens de um mar caótico pode-se encontrar, por vezes, pequenas e delicadas vidas na areia fofa. Andando pela Av. Barão de Studart, no Bairro Aldeota, ouvimos o rugir de motores e buzinas, aspiramos o odor fumacento sem lacrimejar, pisamos nos cantos vestidos pelo asfalto magmático. Estudantes, motoqueiros, frentistas, ônibus, fios, olhos fitados no próximo passo. Olhares perdidos em seus próprios futuros, em suas privadas situações, indiferentes ao grande mar que rodeia suas ilhas de aprisionamento. Ao chegar a uma esquina, próxima a um tradicional restaurante japonês da avenida, uma simpática rua floresce. Afonso Celso. Não sei se o nome se deve ao saudoso personagem de nossa literatura, apenas sei que o valor da rua está no silêncio. As buzinas, o som dos passos, os motores, vão diminuindo seus respectivos volumes para dar lugar ao som do vento batendo nas árvores. Uma rua de pouco movimento. Algumas clínicas, um centro de artes, casas antigas e a Associação Elos da Vida. Foi neste último local citado que encontrei a motivação para escrever este texto. Ao passar em frente à Associação, um ser simpático me aborda bem no portão de entrada. Na Afonso Celso, os olhares mostram-se mais fixados ao passado e ao presente. O olhar de quem me recebeu no portão mostrou-se atento, buscando-me com euforia, exprimindo toda a carência retida. Seus pelos loiros e caídos, mostravam uma idade já vencida... A melancolia de uma visão seca perseguia-me, como se quisesse regurgitar em mim o seu pranto, sentir-se acolhido por uma presença afável. Os olhares da Avenida mostraram-se egoístas, buscando suas próprias arredomas trancadas. No ar, a negligência de um pedido que não foi feito, o cerco invisível, mas que perfura sua carne profundamente ao aproximar-se. Olhares que se diluem... Sós. Por opção. Rejeição. Insatisfação sem nem ao menos tentar. O olhar com o qual me deparei na Elos da Vida, era uma manifestação de atenção. As pessoas que andam na grande avenida, muito têm a aprender com um olhar atento de um cachorro cego.

3 comentários:

Lucianny M. disse...

Adoro, adoro, adoro! :D
Eu chorei quando li esse perfil, lindo, lindo... Continue descrevendo vidas através de suas palavras :D

Infoc@ disse...

André que belo texto, exemplo de humanidade até, gostei muito do foco que vc deu ao final do texto... parabéns!!!
Maira Puig

Anônimo disse...

Esse menino tem futuro, e vai longe!!!
Parabéns.